A experiência de um homem que não soube amar

Eu era um egoísta com a minha esposa e no final fiquei sozinho! 
Unir-me em matrimónio não foi um ato verdadeiramente consciente do motivo pelo qual eu estabelecia diante de Deus e dos homens um compromisso de doação plena no mais importante projeto da minha vida.
Eu agia conforme uma visão muito pobre, pois considerava o casamento como algo convencional e necessário – mesmo sentindo pela minha esposa um amor real, mas à minha maneira.

 
Tudo o que eu fazia se subordinava a um forte individualismo do meu coração, pelo qual buscava acima de tudo o sucesso que a sociedade costuma comemorar: status social, prestígio, poder económico etc.
 
Eu trabalhava muito excluindo toda responsabilidade pessoal com os que me cercavam.
Só entravam em minha consideração as relações meramente funcionais, que podem ser estabelecidas com os outros com sentido de conveniência.
Mas sempre com uma atitude de desconfiança, pois nesse “eu te ajudo se você me ajudar”, eu achava que todos os outros eram como eu, e que buscavam somente servir-se dos outros.

 
Atrapalhavam-me valores que eu considerava absurdos e em desuso, tais como: ser generoso, preocupar-me pelo presente e pelo futuro dos outros, acolher o pobre desamparado etc.

Era uma coexistência que eu rejeitava, considerando que atentava contra a minha autonomia pessoal, a qual, para mim, era de um valor superior a todas essas peculiaridades ou características humanas.

 
No entanto, em minha autonomia, eu me achava com direitos como o reconhecimento constante das minhas conquistas, da minha realização e afirmação pessoal, de ser respeitado e sobretudo agir segundo os meus desejos.
 
Eu estava em primeiro lugar; depois vinha eu, e depois eu também.
E esse “eu” crescia desprezando, diminuindo e extinguindo o “você”.

 
Meu conflito pessoal se expandia no “eu” de: meu corpo, minha saúde, meu tempo, meus projetos, minhas frustrações, meu tédio, minhas possessões etc.
Sendo assim, pouco me importou minha família, que acabou sofrendo as carências afetivas derivadas do meu egoísmo.

 
Eu vivia com eles, mas não para eles; dava-lhes coisas, mas não dava de mim mesmo; reclamava, julgava, mantinha distância.
Pouco a pouco, comecei a perceber que minha família não se importava com meu sucesso profissional.
EU era somente um estranho, o provedor, o dono – papéis nos quais minha pessoa se escondia e se confundia.

 
No mais absurdo dos meus erros, eu achava ter direito de ser amado pela minha família como parte do poder alcançado.
Mas não era assim.
amor é liberdade, é dom, não pode ser comprado, nem podemos ser obrigados a amar.
Perceber isso foi o amargo remédio do qual eu precisava.
Com muita dor no coração, de repente, senti-me sozinho.

 
Mas foi por meio desse amargo remédio que pude me encontrar com Deus, que se tornou minha mais profunda companhia.
Agora, pela fé, tenho certeza de que Ele cuida de mim e da minha família, de que vela por ela com amor, ainda que eu tenha falhado.
Agora, espero tudo dele, esforçando-me por corrigir meus erros e confiando em que, pela sua misericórdia, Ele saberá tirar um bem de todos os meus erros.

 
Deus é amor, e lhe pedirei que me ensine a amar minha família e a recuperá-la.
 
Nunca é tarde.
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